CONCEPÇÕES DE NATUREZA E CONFLITOS SOCIOAMBIENTAIS
O CASO DA PESCA ARTESANAL NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
Resumo
Este artigo analisa três conflitos socioambientais envolvendo pescadoras e pescadores artesanais no estado do Rio de Janeiro. Objetiva-se expor as concepções sobre a natureza envolvidas em diferentes projetos de desenvolvimento em disputa nos territórios de Duque de Caxias, da Bacia de Campos e do bairro de Santa Cruz, município do Rio de Janeiro. A partir da noção de territorialidade, o trabalho aborda o impacto de empreendimentos econômicos na pesca artesanal. Analisam-se as concepções natureza que expressam, em seus discursos, os atores envolvidos nos conflitos socioambientais nesses territórios, através de revisão bibliográfica, acompanhamento de audiências públicas e de análise documental dos processos judiciais dos casos. Conclui-se que diferentes concepções sobre natureza não refletem exclusiva ou universalmente a percepção de mundo de um grupo social ou entidade. Ao contrário, são acionadas por diversos atores como coletivos de pescadores, entes públicos e empresas acusadas de dano que, em sua maioria, as constroem e mobilizam de forma estratégica. Dessa forma, não representam tipos ideais, mas permeiam, em maior ou menor medida, todos envolvidos nesses casos e constroem o campo de disputa simbólica sobre a representação de natureza nesses conflitos socioambientais.
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